O Cristo de Juan de la Cruz e o Êxtase como Método Artístico

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Abstract

Francisco de Holanda (1517- 1585) e Juan de la Cruz (1542- 1591) são dois protagonistas do século XVI que, apesar de não se terem conhecido, apresentam alguns aspectos conciliadores. Neste pequeno artigo propomos estabelecer uma relação entre o esquisso de Juan de la Cruz, “Cristo Crucificado”, desenhado em estado de êxtase, e a teoria acerca do furor divino como método artístico em Francisco de Holanda. O êxtase como estado de máximo arrebatamento, desvela a faceta mística de ambos, mas antecipa também o ideal do Barroco. Apesar deste traço de modernidade esta tendência que se assinala no século XVI remete para a Antiguidade, nomeadamente a Platão, que vê a na “boa loucura” uma forma de aproximação ao divino, um tipo de loucura que também parece atormentar os artistas e os poetas. O êxtase, que sempre esteve no encalço do mundo das artes como se de uma corrente magnética se tratasse, leva a réplicas tão espetaculares quão inusitadas, como seja o caso do famoso “Cristo de Juan de la Cruz” de Salvador Dali, que acabou por se tornar o maior embaixador do Místico.

Francisco de Holanda (1517- 1585) and Juan de la Cruz (1542- 1591) are two protagonists of the sixteenth century. Although not having met each other, they both present some conciliatory aspects. In this small paper we propose to establish a link between the Juan de la Cruz's draw "Christ Crucified", created in ecstasy, and the theory of the divine furor as an artistic method in Francisco de Holanda's artistic theory. Ecstasy as a state of full ravishment discloses the mystical aspect of both authors, but also anticipates the Baroque's ideology. Despite this modern trend that marked the sixteenth century, this tendency also refers to the ancient times, as for instance we can see in Plato, who sees the "good or holy craziness" as an approach to the divine, a kind of madness that also seem to haunt the artists and the poets. Ecstasy, which has always been on the trail of the art world as if it was a magnetic current, leads to replies so outstanding as unusual, as is case of the famous "Juan de la Cruz's Christ" of Salvador Dali, which eventually has become the greatest ambassador of the mystical Juan de la Cruz.
Original languagePortuguese
Pages (from-to)01-11
Number of pages10
JournalRevista Arte & Sensorium, Revista Interdisciplinar Internacional de Artes Visuais
Volume3
Issue number2
Publication statusPublished - 2016

Keywords

  • Juan de la Cruz
  • Francisco de Holanda
  • Êxtase
  • Melancolia
  • Furor divino

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